sexta-feira, 24 de julho de 2009

Aniversário do Mistureba Hibrida

O abandono é evidente. Mas mesmo assim, vale o registro. Hoje o Mistureba Hibrida faz exatamente um ano e um dia.

Parabéns para Jean Carllo, Lucil Jr, Janaína Takai e Vanildo Marley.

E de imediato, desconsiderem os parabéns. E comecem a trabalhar por aqui como foi feito há um ano.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mais Uma de Solidão

Se era para sentir saudade, já cumpri a missão. Em até certo excesso. A distância infinita do céu traduz os dias inseguros e intranqüilos que vivo. Nuvens, sol e aquele azul dito perfeito, brigam em frente aos meus olhos famintos pela beleza seqüestrada pelo fim.

Se não era para sentir dor, não foi possível realizar essa proeza. Pois sem a delicadeza impiedosa, qualquer sentimento respira pobreza e pede esmola em becos adormecidos.

E por certos momentos, não sei se era ou é. Mas ando folheando os ares tentando traduzir tanta saudade nos meus dias incolores.

Ps: O texto foi escrito às 24:54 do dia 19/05 deste veloz ano, que com toda certeza corre mais que o Rubinho.

Outra Ps: na verdade qualquer coisa corre mais que o Rubinho.

Vanildo Marley

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A doce agonia de quem ama

Mais um post brega e ridíulo...

O som ritmado da sua voz ecoa em meus ouvidos. Estes estão cansados de ouvir palavras que estão longe de você. Bailando por entre carros e pessoas, deixo-me conduzir pelo belo espetáculo que é a vida. Vida que vira contemplação inútil sem sua companhia. As palavras ditas por você acompanham meu tortuoso destino...

Coreografando passos apressados corro ao seu encontro. É difícil aceitar que meus esforços não apressam o tempo. O buzinar constante do trânsito parado acelera ainda mais o palpitar do meu coração. Sofrido coração! Na ânsia de te encontrar ele tenta fugir por entre meus lábios, mas é tentativa vã.

Olhando o relógio conto os muitos minutos estacionados neste engarrafamento. Com ironias demasiadas, o destino vai escrevendo o deprimido texto da espera.

A sanidade já prestes a sair de cena e a loucura pronta a assumir o controle. Os carros agora andam. O balanço que eu sentia forte no peito agora pode ser visto. A agitação do meu coração é visível. A lembrança da sua voz se mistura a vozes de anjos que anunciam o fim de tamanho desalento.

O momento se ascende com o termino dos sofrimentos que já não são lembrados. O que penei distante de ti foi sanado e é totalmente sem valor diante do reencontro.

Queimando de alegria alcanço seu corpo. Junto de ti sinto-me envolta em nuvens de êxtase. Todas as emoções que ardiam reprimidas em nossas almas enquanto separadas se unem em um mesmo espírito. Agora, unidas em igual emoção, nossas almas atingem o anseio de estarem novamente completas.

Por Janaina Takai

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Do 13 ao 20

Na próxima quarta-feira, dia 13 comemora-se o dia da Abolição da Escravatura, a Lei Áurea. Equivoco meu, perdão. Não há comemoração (se ainda existe é pouca e irrelevante). A referida data conhecida como o dia de libertação dos negros – interpreto tal fato como ironia histórica – nos últimos 10 anos (estimativa fundamentada no meu achismo) perdeu a primazia para o 20 de Novembro. Houve, dessa forma, uma espécie de esvaziamento simbólico, perda de significação acerca da Lei assinada pela graciosa princesa Isabel em detrimento ao Vinte de Novembro, marco da morte de Zumbi e derrocada do Quilombo dos Palmares.

Migração necessária? Creio que sim. A Lei Áurea foi mais benéfica para os possuidores de escravos do que para estes. É preciso lembrar que naquele momento ter escravos era mais caro (ter que alimentar, vestir e oferecer “moradia” mesmo que precariamente é um “rombo no orçamento”) do que contratar trabalhadores “livres”. Assim feita, a Lei é áurea para os grandes fazendeiros que continuaram senhores, embora de mãos imigrantes. Ao negro, há que se generalizar, restou adaptar-se a uma realidade estranha e para a qual estava despreparado. Ao comemorarmos o 20 de Novembro como a dia da Consciência Negra, agregamos a ele novos valores mais afeitos ao movimento negro. É preciso um dia, semana ou mês da Consciência Negra? Fico em dúvidas. Temos um dia da Consciência Branca? Mesmo assim é pertinente lembrarmos do negro como exceção, pois o sistema capitalista (ideológico e econômico) implantado no Brasil tornou-o exceção (não nos esqueçamos, óbvio, de outros elementos sociais que também são marginais ou marginalizados na Pátria amada, salve salve!).

Não explorei, e nem mesmo entrei, em pontos importantes para uma melhor compreensão deste que é um tema tão complexo. São perspectivas que devem e só podem ser iluminadas a partir de um aprofundamento em estudos que apreendem facetas ideológicas e como esta se manifesta. Aos interessados indico Muniz Sodré, com quem, aliás, encerro este post: “Embora o racismo ideológico tenha sido duramente atingido, persiste com força ainda maior o movimento de intolerância e exclusão do outro em representações, pratica se fatos miúdos do quotidiano das classes sociais contemporâneas. O paradigma perdeu a coerência ou a visibilidade enquanto modelo doutrinário, mas ancorou-se no fundo da consciência pequeno-burguesa, difratando-se, como uma espécie de fenômeno social global, no corpo das práticas sociais ultramodernas.”


Jean Carllo

domingo, 3 de maio de 2009

Dica para os ouvidos e mente

Embora seja cada vez mais freqüente esse tipo de estratégia, dessa vez vale o destaque.
As grandes empresas começaram a usar suas marcas em outros campos para colocar mais em evidência seus nomes no mercado.

E assim também fez a Mitsubishi, que acelerou para o rádio.

Vale o acesso: www.mitsubishifm.com.br.


Vanildo Marley

domingo, 19 de abril de 2009

A arte de esquecer

Naquela mesa perto da parede onde o som da canção é mais baixo eles conversam. No palco os versos dizem que o amor foi eterno enquanto durou, mas chegou ao fim e na mesa o rapaz tenta convencer a amada que não é capaz de viver sem ela.

A moça sente que ele já não faz falta e por causa das boas lembranças procura uma maneira mais suave de convencer o ex-amor de que a relação chegou ao fim. No entanto ele não aceita. Chora, faz birra, diz que a ama. Fala da vida que perdeu o rumo e dos planos que só fazem sentido ao lado dela. A moça com o coração mole, defeito de fábrica do sexo feminino, acaba adiando a separação, mesmo sabendo que o rompimento é necessário.

O tempo evolui e o caso acaba. Ela revela que não quer compromisso e que precisa de tempo para cuidar de suas coisas. O rapaz, de novo, faz aquele drama. Relembra bons momentos, chora e fala sobre o caminho sem rumo e vazio sem a companhia da amada. Desta vez ela resiste e não sede ao choro do rapaz. Ela precisa seguir a vida por caminhos diferentes do dele.

A semana corre e o rapaz apaixonado continua telefonando, mandando flores, enviando torpedos e mensagens que contam o quanto ele está sofrendo com a separação.

A moça fica penalizada com tanto sofrimento e começa a imaginar se estaria trocando o único homem que pode fazê-la feliz por baladas e um pouco de liberdade. Começa a bater aquela duvida. A tristeza começa a fazer parceria com as barras de chocolate. A incerteza e a duvida rodando na cabeça corroem. Os dias caminham. A moça com um pouco mais de calorias e recuperada da crise emocional decide tentar outra vez.

Os dias que passaram não foram muitos. No máximo duas semanas. Ainda está em tempo de continuar. Porém, contudo, entretanto, todavia... O rapaz que ate a ultima terça-feira infernizava os momentos de lazer da garota com a ladainha de “amor eterno” parece já não amar. O discurso tão bem encenado de "não vivo sem você" parece terminado. A menos de três dias do ultimo “eu te amo” o garoto apaixonado já desfila com outro amor. As palavras de romantismo ditas a moça do cantinho do bar já foram transferidas à nova acompanhante.

O drama interpretado pelo rapaz virou comédia aos olhos da antiga moça. Ele a tirou o sossego. O sono. Do sério. Para no dia em que ela decide dar a tão implorada “nova chance” ele aparecer com um novo affer.

Os homens são surpreendentes. Amam, imploram, choram, enchem a cara e num abrir e fechar de olhos esquecem. Amor já não existe e eles estão mais que prontos para uma nova aventura.

E a antiga moça? Aquela que queria liberdade, mas deixou o amor que o rapaz dizia sentir por ela tocar o coração? Coitada! Se ela ainda não consertou o defeito de fábrica deve estar realizando uma nova e intensa sessão regada a tristeza e chocolate.

Por Janaina Takai
Foto: net

domingo, 12 de abril de 2009

A derradeira tentação


Há alguns anos mantenho o hábito de assistir ao filme A Última Tentação de Cristo no feriado da Semana Santa. Esse “assistir ritualístico” tornou-se para mim, agnóstico-ateu em constante crise, um importante contraponto ao catolicismo reinante, à pseudo-compaixão dos crentes em Cristo...

Opiniões religiosas à parte, não estou aqui para escrever sobre os aspectos teológicos do filme, embora sejam por demais interessantes. Penso apenas escrever sobre as características artísticas da Última Tentação – mas sei também que não sou apto para fazer análises intrincadas, estabelecer relações complexas, ou seja, aquilo que uma critica ou análise ‘séria’ deveria abordar. No entanto, reconhecido humildemente as minhas limitações interpretativas, quero aqui comentar duas ou três cenas que tornam este o melhor filme sobre a vida de Cristo e para mim especificamente um dos 3 melhores do diretor Martin Scorsese (os outros dois são: Taxi Driver e Touro Indomável).

Sem mais delongas vamos a algumas cenas. Logo de inicio, na cena em que “conhecemos” Jesus somos confrontados com toda uma série de pré-saberes, preconceitos e conceitos em nós incutidos, em grande parte, por obras de arte em consonância com os dogmas católicos. Ou seja, na apresentação de nossa personagem titulo conhecemos um homem atormentado, mesmo que ainda não explicitamente, por vozes internas. Ele trabalha sob a madeira, “um marceneiro...” é possível pensar instantaneamente em uma dedução mais do que correta. Contudo não um marceneiro de portas, mesas e outros objetos corriqueiros como normalmente assistimos em outros filmes. Aqui Jesus é um feitor de cruzes. Um colaborador indireto da opressão Romana, como Judas (isso o tal traidor, se você deduziu corretamente) afirma ao conhecer o proto-messias ainda nesta primeira cena.

É por ter essa perspectiva não usual e menos dogmática ao nos apresentar Jesus que considero essa cena de introdução uma das melhores do filme. Ali já temos toda a complexidade, o duelo entre a natureza divina e humana, o medo do desconhecido, em suma o emaranhado problemático que é o Filho do Homem.

Mais adiante temos uma cena clássica e de conhecimento geral: o Batismo de Jesus. A cena é clássica, mas mais uma vez a perspectiva adotada por Scorsese foge completamente do convencional. Antes de sabermos quem é João Batista (aquele que precederia o Messias) somos arrastados por um turbilhão rítmico de tambores, cantorias, pessoas em transe (algo semelhante aos cultos de religiões de matriz africana) e lá no meio do riozinho um homem de costas a fazer um discurso violento. Esse é João Batista, retratado mais velho e bem mais “selvagem” que o normal... Atentem para o dialogo que precede o famoso momento do “batismo”, é sem duvida muito bem articulado.

O que mais chama a atenção nesta cena: o estranhamento de assistir algo semelhante (músicas, gestos e atitudes) a um ritual pagão. Isso destoa do comunalmente plácido, singelo e insosso Batismo. Surpreendente, os religiosos fervorosos devem se sentir ultrajados...

Outra cena. Medrosamente após a entrada triunfal em Jerusalém e de expulsar os “vendilhões do Templo”, Jesus assustado pelo furor da população e pela presença de centuriões romanos foge auxiliado pelo seu melhor amigo Judas (isso o traidor!). Em meio a um grande conflito (o que até este momento representa apenas mais um) Jesus pede ao seu mais adorável discípulo e motivador para ser traído, apresentando para o chocado e futuro-simbólico-grande-traidor-da-humanidade (ode ao hífen!) argumentos convincentes para que tal ação seja realizada.

A cena nem é das mais brilhantes, mas a atuação de Harvey Keitel (Judas) na sua melhor durante todo o filme, e de Willem Dafoe (Cristo) vale como um dos pontos altos do filme.

E claro por fim – porém não menos importante, como se diz por aí –, destaco a cena que dá nome ao filme: A ultima tentação. Neste momento a grandeza do roteiro se impõe. O Jesus medroso, conflituoso e demasiadamente incerto sobre a personalidade divina – e em conseqüência da necessidade de ser oferecido como sacrifício – se revela. É o “lado” humano sobrepondo-se ao divino. O homem venceu o Deus. Mas até quando, questionamos. Acostumados com as idas e vindas da incessante dialética da personagem seria muito fácil aceita-la em paz... Quanto a isso a resposta não tarda.

Damos-nos conta afinal e ao final que Jesus sempre será um atormentado, o Cristo da última tentação é “de momentos” e estranhamente sazonal. Eis aí o grande mérito de Scorcese, transferir toda essa riqueza para uma história popularíssima, “a mais representada de todos os tempos”. Tentei fazer por aqui apontamentos, uma vez que seria por demais exaustivo comentar outras tantas cenas excelentes, com fotografias e trilhas em perfeita composição. Para aqueles que não assistiram A Última Tentação de Cristo vale fazê-lo o quanto antes, não espere a próxima Semana Santa. Ah, aliás, não entrei em nenhum momento neste post no que seria a última tentação, mas posso afirmar que O Código da Vinci é ainda mais simplório se comparado ao filme.



Jean Carllo

sábado, 4 de abril de 2009

Livro ou Sabedoria? Os Dois! Com Moderação e Respeito...

De Volta ao Mistureba!

Mais de 3 meses sem rabiscar por aqui. Pelas minhas contas, quase 100 dias que não posto nada neste blog. Tempo este que me custou um surto de desespero na hora de fazer o login, pois esqueci a senha e até onde deixei a bendita anotada. E como esquecer números é algo normalíssimo na minha vida, nem estressado fiquei como costumo ficar quando vou fazer algo e não dá certo. Quando isso é com números, eu dou é risada. Tamanha lerdeza que possuo com tal gênero. Pelo menos dessa vez tive sorte ao menos em chutar e conseguir acertar.

Vai ser algo meio pessoal, e não foi esta a proposta que criamos para o Mistureba. Mas só quero já justificar minha falta de criatividade nos últimos dias.

Não é crítica ou raiva. É simplesmente um momento onde não consigo entender os outros e muito menos a mim. Onde vejo que brigar por opinião é coisa para burro como eu, que nunca foi de ler muitos livros, principalmente livros que dizem ser aqueles que só inteligente lê. Mas se você ler um livro desse cabarito (cheio de conceito) e o entende, parabéns. Você tem “conceitos” e pode discutir. Se é como o humilde cidadão aqui. Esquece, você é jogado da conversa a ponta pés verbais. Porque nos livros, parece ter todas as razões do mundo. Então, opinião não é nada nessas condições.

Aprendi com o tempo esse lance de conviver com as pessoas, mesmo sendo filho único e tendo sobre mim o clichê de filho mimado. Minha mãe e meu pai sempre me “jogaram” para que isso não acontecesse. Desde 7 anos já me virava sozinho com almoço, lanche, janta também e o que fosse necessário para não ficar na colinha dos dois. E sempre me falavam e falam da importância de saber respeitar as pessoas. Sejam elas parecidas ou não comigo. E me ensinaram o quanto uma palavra pode fazer mal para uma pessoa. O quanto descontar a raiva nos outros para ficar bem, é uma coisa não agradável.

É aí que me pego em um quarto vazio, escuro, gelado e sem janela. Nos tempos atuais do meu cotidiano, talvez por “baixa alto estima” (ficou estranho), venho sentindo golpes dolorosos por isso. Quando comento algo, sempre levo cada cruzado na minha mente, que me dá vontade de largar tudo e ficar o resto da minha vida em uma biblioteca lendo todos os livros do mundo. Para ver se aprendo um pouco de conceitos teóricos. Pois ando percebendo que saber ou tentar ter um convívio estável e respeitar a opinião dos outros, é coisa para burrinho. E que teoria é sinal de inteligência. E que convivência não é nada. Você não precisa ter respeito, mas é necessário ter conceito.

Sendo assim, insisto na minha burrice. E digo aqui que respeito essa opinião de conceito, até porque é uma forma de se adquirir conhecimento. E eu tenho muita admiração para os adeptos desta forma de inteligência.

Mas, não adianta ler “trocentos” livros, e não ter a compreensão de entender os problemas que um colega passa em casa. Como aconteceu comigo. Se for para ofender as pessoas, chamá-las de incompetentes (interpretei desta forma), eu prefiro continuar sem teorias, sem conceitos e simplesmente ter a sensibilidade de dar o ombro para um amigo quando este estiver passando pelo que estou.

Termino com o verso da Marisa Monte na letra da canção Gentileza. E disponibilizo o link do clip e a letra completa, para que fique mais claro o que quis dizer.


“Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria”

Aqui o link do clip.
http://www.youtube.com/watch?v=VKnVAZHehV0


Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de gentileza

Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta



Vanildo Marley

domingo, 29 de março de 2009

Seinfeld


Seinfeld é considerada a melhor sitcom (série de televisão) já criada nos Estados Unidos. Sua popularidade por lá é equivalente à do ''nosso'' Chaves. Teve nove temporadas e dois filmes com o Personagem principal, foi ao ar de 1989 a 1998.

Jerry Seinfeld é um real comediante stand-up, e a série mostra a sua vida e a de seus amigos; George, um gordinho careca e paranóico, Kramer, vizinho de Jerry, o cara mais non-sense, louco e engraçado que já vi e Elaine, ex-namorada de Jerry, uma garota psicótica. A história não tem nenhum foco, é sobre coisas simples que acontecem na vida de qualquer um. É sobre nada. O engraçado é como essas histórias são contadas. Cada episódio começa e termina com Jerry fazendo stand-up, sobre o assunto que será abordado na série. As cenas se passam, em sua maioria, no apartamento do comediante ou em um café de esquina onde todos se sentam sempre na mesma mesa para conversar.

Após o termino da série, aconteceu algo que ficou conhecido como '' a maldição de Seinfeld''. Nenhum ator conseguiu outro papel tão grande, todos caíram no ostracismo. A atriz que interpretava Elaine fez alguns filmes e séries, mas sem sucesso. Jerry segue até hoje pelo país fazendo comédia em clubes e bares.

Pra quem tem interesse nessa e em qualquer outra série, nova ou antiga, uma dica: o portal Is Life Corp. Creio que há lá mais de 300 séries e desenhos para download gratuito. O bom desse sítio é que, além de coisas antigas, eles acompanham episódio por episódio de séries que ainda estão em andamento, como Lost, House md. e muitas outras. É só se cadastrar e aproveitar!

Enfim, fico por aqui, tomando um café enquanto uma chuva forte cai lá fora...
Até o próximo post e é isso aí, Mistureba Híbrida está de volta!


Lucil Jr.

domingo, 22 de março de 2009


Amigos e amigas, o outono chegou e nós retornamos as atividades do Mistureba. Outono combina com climas de romance, diria que é a melhor estação para estar apaixonado. Então começo minhas novas postagens com um texto cheio de sentimentalismo. Como diria Fernando Pessoa e como repete a trupe do Teatro Mágico "todas as cartas de amor são ridículas". Portanto, o texto que se segue também é rídiculo e brega justamente por falar de amor.



Ah! Como são lindos os olhos. Nunca me importei se reluziam verdes, azuis, castanhos... Mas agora, deste algum dia, a luz azul do seu par de olhos ilumina meus sonhos. Sonhos porque, existe mais do que eu e você.
O contato com o brilho desse olhar me leva a pensamentos incríveis, apesar de saber que a convivência com o resto do corpo não fluiria. Mas esses olhos... Esses olhos me deixam tonta. O azul que deveria lembrar água e frescor acende feito fogo e um único olhar me tira os sentidos.
Não posso contar para esse azul o segredo que guardo sobre eles. Não posso querer me aproximar desse par que me atrai. Vivo sentindo e lembrando desse azul que não deve ser meu. Isso porque, existe mais do que eu e você.

Janaina Takai

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Senhora do Canto


Odeio final de ano. Por que, me perguntariam aqueles que adoram as festividades do período. Questão simples de se responder. Creio ser esta uma época aonde a hipocrisia – já tão habitual no nosso cotidiano – ganha dimensões exorbitantes. Espírito cristão é possível argumentar. Falsidade cristã, talvez...


Na verdade o parágrafo anterior não tem nada a ver com o que pretendo escrever hoje. Não passa, aliás, de mero “nariz de cera” como se diz no jargão jornalístico, portanto desnecessário e irrelevante por não acrescentar nada ao leitor. Pronto, não é que este também se tornou mais um narigão de cera?!


Pois bem, para poupá-los de minhas viciosidades narrativas passo direto para o meu objeto: a cantora e interprete lírica de nome Jessye Norman. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que a vi e ouvi. Na ocasião a soprano acompanhada pela Metropolitan Opera interpretava os Spirituals (canções de igreja pentecostais negras, uma das raízes pode-se dizer do que viria a ser a atual Black Music) juntamente com outra grande cantora, Kathleen Battle. Fiquei de imediato impactado. Primeiro por desconhecer ambas as cantoras famosíssimas ao que tudo indicava, e segundo pela potência vocal de Jessye Norman, uma das maiores do século XX como gostava de ressaltar o saudoso apresentador do “Quem tem medo da Música Clássica”, Artur da Távola. Impressionante, seria o termo correto. Norman impressiona pela grandeza da voz, pela imponência corporal, em suma pela atitude de Senhora do Canto. E me valho mais uma vez das palavras de Távola quando ele afirmou o quanto Jessye era penetrante ao interpretar as canções que ‘tocavam’ a sua alma e as origens negras. A isso chamo de verdade, é essencial aos grandes artistas serem verdadeiros consigo mesmos (não falo de verdade moral ou coisa do tipo), e Norman o é, certamente. Após esse primeiro contato com Jessye eu assisti outras apresentações dela em que interpretava óperas de Wagner, áreas de Bizet e até a Marselhesa na comemoração do 14 de Julho francês.


Anos se passaram e não é que agora Jessye “reapareceu” em minha vida?! Isso graças ao caro amigo Lucil que fez a benesse de presentear-me com o link que contem o álbum de Spirituals gravado por Norman. Exultei por poder ouvi-la novamente, e este período que quase invariavelmente é de uma melancolia persistente se tornou até mais... ou melhor menos deprimente. Enfim, não deixem de conhecer esta magnífica cantora, e antes de afirmarem categoricamente: “eu não gosto de música clássica” ouçam. Como diria um amigo “muitas vezes é a freqüência que determina o gosto”. Então é isso, se concedam o privilégio da dúvida, experimentem Jessye Norman! Até o próximo ano e bebam sem moderação...


(Este é o link para o álbum de Spirituals:

http://www.4shared.com/dir/3399445/c876f61c/Jessye_Norman_-_Spirituals.html )


Jean Carllo

domingo, 21 de dezembro de 2008

Férias, Propaganda e Festas!!

Já há uma semana não vou à faculdade. Livrei-me das turbulações das provas e trabalhos finais mais facilmente do que imaginava. Lembrei do Lúcil dizer uma vez, numa prova de português em que não tínhamos estudado nada. No final da prova ele disse: “a prova desceu como água benta”. Tal frase serve para as minhas avaliações finais. Estava tão estressado que não tinha ânimo tão pouco paciência para pegar caderno ou livro para estudar. O jeito era fluir o que aprendi em sala de aula. Sendo assim, o perigo continuava, pois quase não assistia mais aulas no último mês. Finalzinho de ano “daqueles” este. Problemas pessoais sobraram, contribuindo para o meu estress. Resumindo a “questã”, saí bem em todas as provas e vi que aos pouquinhos estou ficando menos burrinho.

Aulas encerradas, então era hora de fazer o meu blog para contar um pouco mais sobre o meu cotidiano. Idéia antiga, que ficou mais forte recentemente. Tantas coisas aconteciam comigo, que aos poucos vi que minha vidinha não era tão desinteressante assim. Pelo contrário, minha vida é hilária. Pensando nisso resolvi criar o VIDRASSA (www.vidrassa.blogspot.com) para comentar fatos recentes e passados. E também dar pitacos no que acontece mundo afora.

Viva o jabá!

Não sei se passarei mais por aqui em 2008. Então para os que gostam das festas de final de ano, desejo ótimas comemorações no natal e passagem de ano. Que todos nós tenhamos mais compaixão no ano que está por vir.

Vanildo Marley

sábado, 13 de dezembro de 2008

Bon Iver - For Emma, forever ago

Super bandas com oito, nove ou até mais integrantes estão na moda (Bss, Arcade Fire, etc).
Aquele som com trezentos mil instrumentos, cheio de detalhes, grandioso. E, em meio à essa moda, Bon Iver vem para mostrar-nos que algo grandioso não depende da quantidade de pessoas envolvidas.

Justin Vernon saiu de sua antiga banda e terminou um relacionamento em 2007. Isso fez com que o rapaz se isolasse numa cabana em Wisconsin (Eua) por três meses.
O fruto dessa solidão é ''For Emma, Forever Ago''.Vernon fez e tocou todas as canções, levadas sempre ao som de um bom violão folk e vozes dobradas cheias de melodia. Músicas aconchegantes, pra ouvir durante um bom inverno.Sem dúvidas, o melhor cd de 2007. E não só eu acho isso, ele está presente nas mais famosas listinhas de ''best off 2007'' por aí. Minha preferida é Skinny Love:
Who will love you?
Who will fight?
Who will fall far behind?
E aproveito aqui pra deixar o endereço do La Blogotheque. Um site francês que promove concertos bem diferentes e bonitos onde as bandas/músicos tocam pelas ruas de Paris, em cafés, casas antigas, no campo...é coisa d'outro mundo de tão belas que são as apresentações. E dá pra baixar muita coisa pelo site. É perfeito.

Lucil Jr. (que já está ouvindo o Blood Bank, novo Ep do Bon Iver, a ser lançado em 2009 hehe)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Prestação de Serviço

Para unir e ajudar as pessoas, sempre é preciso fazer o tempo.
Não é nenhuma sacanagem. Nós do Mistureba não somos ricos e famosos, porém, justos e humanos. De qualquer forma, vai aqui o link do blog do Juca Kfouri(http://blogdojuca.blog.uol.com.br/index.html)
que comprava toda a seriedade do post.
Equipe Mistureba Hibrida

Cultura 0800


Em nome dos demais cidadãos que integram este blog peço desculpas pela ausência constante de postagens. Mas justifico tal “relaxo” pelos trabalhos e provas finais na facul. Para não ficar em vão, mando aqui algumas fotos do show do Teatro Mágico no último dia de novembro de 2008 na cidade de Muzamba City (MG). O show encerrou a terceira edição (se não estou enganado) do festival Cultura e Música de Muzambinho.

Na postagem anterior é destacado que só não tem cultura quem não quer. E o festival de Muzamba comprava isso. Paguei apenas R$ 20,00 para ver uma apresentação que vou humildemente classificar como “diferente”. Lembrando que os 20 mangos foram da van, porque a entrada era 0800.

Maiores informações sobre o festival Cultura e Música de Muzambinho nos seguintes links: http://www.festivalmuzambinho.com.br/ e http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=48595725

Que o exemplo sirva para as prefeituras de outras cidades consideradas pequenas.

Parabéns Muzamba!!!!


Vanildo Marley

domingo, 23 de novembro de 2008

Tentando Entender

Estou tentando entender o que não sei como entender. Mas que da para entender, eu acho.

Tudo começa na quinta-feira (20/11/08), quando tenho que dormir fora de casa para resolver questões da faculdade (isso seria na sexta de manhã). Aproveitei então para ir à festa de aniversário de um professor (não vou citar o nome dele, porque ele não gosta de blogs e vai que resolve tirar os poucos pontos que tenho em antropologia? A minha situação em antropologia. “I, ta mar”). Por acaso, mas não deixou de ser minha primeira festa como universitário(imprevistos sentimentais aconteceram). Pois bem, papo vai, papo vem e as viagens tanto dos alunos quanto a dos professores era algo no mínimo, sei lá. E equilibrando na linha do acaso, na festa conheço o Nicolau (ainda não me deu aula, ano que vêm isso acontecerá, espero!) irmão da Fran que tenho contato virtualmente há pouco mais de 2 anos. Tantas conversas com minha “titia” no mundo virtual, acabo primeiro por conhecer pessoalmente seu irmão. Êta mundinho maluco.

Concluindo: no final da festa do professor que não citarei o nome, perguntaram como que estava minha condição mental depois de sei lá quantas cervejas nas idéias. Respondi: “I, ta mar”.

Na sexta, resolvo o que tinha para resolver e a convite do Jonatam (o mais novo jornalista do palneta) vou com ele almoçar em um restaurante (não tinha comida na república “Orfanato do Cirilo”) e é aí que começa a minha tentativa de entendimento.

Durante a sobre mesa discutíamos a sociedade do interior. Deliramos em projetos fotográficos que esperamos ter apoio para realizá-los. Falamos também da cultura intelectual do pobre e do rico.

E no decorrer da conversa, olho para o lado e vejo um prato solitário na mesa que ficava a nossa esquerda. E também um entregador de refrigerantes que passava toda hora com garrafas para colocar no estoque. Nesse momento meu cérebro processou por volta de mil imagens. E rapidamente pedi para o Joonatam registrar tal imagem. Ótimo! Veja a foto e se delicie com suas conclusões a respeito do nosso cotidiano.Antes de sairmos do restaurante, ganhamos de brinde pelo nosso bom comportamento uma sobre mesa ocular. Era a minha professora louquinha que também rangou no restaurante. Infelizmente não foi na nossa mesa e mais infelizmente ainda, não pagou a nossa conta (tá, eu entendo, professora e jornalista no Brasil não pode esbanjar grana como por exemplo, um político). Sorte a nossa que o sorriso da “Lú” não tem preço. Se tivesse, eu ficaria sem ele por falta de bufunfa para pagá-lo.

E caminhando, conversando e seguindo sem direção, mais uma vez olho para o meu lado esquerdo e vejo no alto de um sobrado uma cena que palpitou meu sistema social. Desesperado falo para o Jonatam: “olha aquela imagem”. E ele: “cadê? O quê? Nossa”!!!

Uma foto que mostra o Brasil sofredor que é. Veja, tire e faça milhões de conclusões.

Não posso deixar de registrar a nossa conversa dentro da Igreja. Entramos e por lá ficamos uns 30 minutos falando do mundo. Não rezamos. Mas a cada assunto que abordávamos, era uma forma de agradecimento ao que temos e somos. Ele vendo Deus de um jeito e eu de outro. Como penso que deveria de ser.

Daí direto para uma livraria. E é onde concluo e que não concluí. Entendo o que não entendi.

Antes tinha passado em uma banca de revistas e comprado um livro de crônicas do Manuel Carlos (A Arte de Reviver). Custou precisamente R$ 9,90. Não é lançamento para o mercado, mas para mim sim. Eu não tinha lido ainda. E comprei “baratinho”. Era o grande propósito nosso. Comprar coisas legais, por um preço doce para o bolso.

Na livraria, o tormento foi imenso. Autores consagrados, clássicos. Mas preços amargos. Bateu um desespero. E essa tortura durou uns 40 minutos. Acabei por levar um que conta a histótia do Corinthians. Mas o curioso que não pelo amor ao time e ao futebol na qual sou possuidor. E sim por quem o escreveu. Um livro de Orlando Duarte e em parceria com João Bosco Tureta é sem comentários. Desembolsei pela obra (CORINTHIANS, o Time da Fiel) R$ 31,00.

Livros de poemas, crônicas, romances, almanaques e segue fila. Pena que não tinha grana para levar o que queria.

E aí pergunto? Como alguém que tem grana, condições de possuir riqueza literária, conhecimento, não da à mínima para isso? Como que conseguem ser burrinhos? Qual a razão de não quererem nada com a vida, a não ser cuidar da estética? Por que o perfume importado e não um livro pelo menos uma vez ao mês? Repito a indagação inicial. Como existem pessoas ricas burras?

Existe sim pobre que é ignorante por preguiça. Basta correr atrás. Óbvio que não na mesma condição dos endinheirados, mas burro hoje só é quem quer.

Mas por experiência própria recentemente vivida. Ser burro com grana é burrice de verdade.

Deu para entender?


"Adianto aqui os parabéns ao camarada Jonatam que terá em mãos seu diploma de jornalista. E estendo para todos da UEMG de Passos que seguirão a carreira jornalística, desejando- os muito sucesso e sorte".

Vanildo Marley

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Deus, Salve as Polaroids!

Os aficcionados por Polaroids em breve ficarão órfãos. A máquina fotográfica instantânea deixou de ser fabricada em 2007, mas é facilmente encontrada à venda em diversos sítios como Mercado Livre e E-Bay . Em 2008 o Site oficial da Polaroid soltou a nota que deixou muitos fãs tristes: a produção de filmes instantâneos também foi cessada. O último lote de filmes tem seu fim certo (a data de validade) : Setembro de 2009. Após isso a Polaroid, como uma foto, será só uma lembrança.
Criada em 1948, com esse conceito inédito de filmes instantâneos, a máquina virou mania. Muitas pessoas não precisavam mais levar seus rolos de filmes 35mm para serem revelados em laboratórios especialidados.
A foto tem características únicas: as cores desbotadas e o foco imperfeito dão um aspecto antigo à imagem. É esse o motivo de, até hoje, a Pola (como é chamada por seus usuários) conquistar novos fãs.
Há sítios, como o save polaroid , que tentam preservar a marca e até fazem abaixo-assinados virtuais para que a empresa volte a fabricar os filmes.
A Polaroid, na tentativa de agradar aos amantes da máquina antiga, teve uma idéia infeliz: criou uma impressora portátil que pode ser acoplada às maquinas digitais. Mesmo tendo a finalidade dos filmes instantâneos, a idéia não vingou. O aspecto peculiar da foto não era o mesmo das clássicas analógicas.
Polaroid de William S. Burroughs (escritor)
tirada por Andy Warhol

Enfim, termino o post com uma belíssima frase comercial bem original: se você ainda não tem uma Polaroid, corra e compre a sua, pois o tempo é curto!
E fico por aqui, olhando para a minha e já imaginando o dia em que ela virará relíquia.
God Save The Polaroids!

Lucil Jr.

domingo, 16 de novembro de 2008

Da agonia a perfeição



O filme agonia e êxtase encanta os admiradores da arte e também quem gosta de aprender sobre.
A trama mostra o trabalho magnífico que Michelangelo foi, a princípio, obrigado a fazer no teto da Capela Sistina, que recebe esse nome porque foi inaugurada pelo Papa Sisto IV no ano de 1489.


Michelangelo era escultor e tinha a sensibilidade de transformar blocos de mármore em magníficas obras. Quando recebeu a incumbência de pintar o teto da Capela Sistima estava fazendo esculturas que seriam colocadas na sepultura de Julio II. O papa obrigou Michelangelo a deixar as estátuas e partir para o trabalhoso processo de pintar no teto da capela as figuras dos 12 apóstolos e alguns elementos que completassem o desenho. Sob a ordem do Papa Júlio II, sobrinho do Papa Sisto IV, Michelangelo é obrigado a fazer um trabalho que dizia não saber.
Michelangelo começou as pinturas e quando já havia feito alguns desenhos decidiu "jogar o vinho azedo fora". O escultor não ficou satisfeito com os primeiros resultados, então destruiu tudo que havia pintado e fugiu de Roma para Carrara. Para ele, arte era um estado de entrega total, amor e inspiração ao que se queria fazer. E na pintura do teto ele não se encontrava com nenhum desses estados. Tinha na sua frente à obrigação de desenhar afrescos que não queria. Aconchegado nas montanhas de Carrara o artista refletia e olhando para o céu observou as nuvens se juntando e formando belos desenhos. Naquele momento, Michelangelo soube o que queria fazer e estava disposto a se entregar ao novo estado de inspiração que o levava para o trabalho na capela Sistina. Decidiu voltar para Roma e recomeçar a tarefa que havia abandonado.


As cenas seguintes não correm tranqüilas. Apesar do animo renovado, Michelangelo trabalha por quase um ano sem receber nada pelo serviço. E a cobrança para o termino da obra era grande. A pintura corria de forma demorada e quando o Papa Julio perguntava ao artista quando acabariam os afazeres, Michelangelo respondia “quando eu acabar”. O convívio entre mecenas e artista era conflituoso. Ambos se enfrentavam tentando impor vontades. E o período em que Michelangelo “compôs” uma das mais lindas obras de arte era de guerra. Os franceses invadiam a Lombardia, enquanto os alemães estavam perto de Brenner. E é nesse clima de desavença e guerra que o artista se dedica, até perder as forças, pela criação. Por tantos esforços Michelangelo acaba adoecendo e paralisa o trabalho. Nessa etapa, o Papa pretende liberar o escultor de sua incumbência e passa - lá a Rafael. O jovem estava ansioso para continuar a pintura, mas quando viu a perfeição dos traços de Michelangelo soube que não teria condições de continuar com tamanha mestria e em uma das cenas, o jovem Rafael diz ao experiente Michelangelo que eles, sábios artistas, são meretrizes da beleza.


O filme é fantástico e narra a historia da criação, e essa frase pode e deve tornar-se ambígua. O filme retrata a história da criação das imagens que compõem o teto da Capela Sistina e a criação do mundo. Michelangelo passa quatro anos de seus dias pintando passagens do livro do Gênese no teto da Capela. As lágrimas chegam aos olhos no momento em que, antes da obra finalizada, o Papa Júlio II se rende a beleza do trabalho de Michelangelo e fala ao artista que na concepção dele Deus não apresentaria essa face calma, leve e benévola. E mais emoção nos envolve quando ao final do filme o Papa Julio II celebra uma missa. O teto belo e finalizado e o artista, aquele que reescreveu a história do mundo através de figuras, participa da cerimônia com a mais límpida humildade.


O filme "Agonia e êxtase" foi baseado em um livro de Irving Stone. Assisti a trama em uma aula de História da arte e aqui deixo minha impressão sobre o fime.
Janaina Takai

domingo, 9 de novembro de 2008

As Inquietações do Medo

"Por várias vezes, usam-se diversas maneiras de disfarçar o medo. Uma delas é nunca admitir que estamos com medo! E aí que se encontra um triste dilema para aqueles que tanto valorizam as aparências: Temos medo de dizer que sentimos medo!" Por Renato Delfraro

No mundo de hoje, cada vez mais globalizado e consumista, as relações humanas estão, a cada dia que passa, se descaracterizando e perdendo espaço para o dinheiro e a tecnologia, que oferecem além de entretenimento e conforto a sensação de que o homem é um ser inatingível, que deve sempre buscar a perfeição mesmo que para isso deva passar a imagem de que nada o faz sofrer ou sentir medo.

Com isso os sentimentos ficam cada vez mais suprimidos diante da necessidade de aparentarmos algo que não somos, e que devemos nos esforçar para ser!
Assim, por diversas vezes, usamos diferentes maneiras de disfarçar nosso medo. Uma delas é nunca admitir a existência do medo. É ai que se encontra um triste dilema para aqueles que tanto valorizamas aparências: Temos medo de dizer que sentimos medo!

O medo é um sentimento que envergonha principalmente os homens. As mulheres geralmente não têm muita vergonha de assumirem seus medos, principalmente quando se trata de baratas e até algumas outras banalidades. Mas tanto homens quanto mulheres encontram-se encurralados quando não podem externar suas aflições, o que gera um grande desconforto na vida daqueles que vivem essa situação.

O que mais aterroriza as pessoas é o medo de errar, principalmente no trabalho, onde o nível de exigência e concorrência é sempre grande, e cada vez mais as pessoas são estimuladas a competirem e passarem uma imagem de que são fortes e imbatíveis, pois só assim conseguirão sobreviver!

Só que o maior medo muitas vezes não é o de errar, mas sim o de reconhecer o próprio erro e pedir desculpas quando necessário. Essa sem dúvida é uma grande barreira a ser vencida por aqueles que deixam as vaidades e a arrogância falarem mais alto, para aqueles que não olham para os lados e quando olham para dentro de si mesmos não vêem saída para onde fugirem.

Não é fácil lidar com o medo, pois ele sempre está presente nas nossas vidas. Mesmo que tentemos fugir dele ou não manifesta-lo, ele se faz presente em nosso dia-dia, de diferentes formas, mas não há como dizer que não sentimos.

A violência é hoje uma grande causa de medo, que aprisiona pessoas de diferentes classes sociais, pois está presente em todos os lugares, porque como se não bastasse ela esparramada pelas ruas, a mídia faz questão de levá-la todos os dias para dentro de nossas casas, de forma cruel e sensacionalista.

Também temos medo da doença, medo da morte, medo de perdermos as pessoas que amamos e medo de dizermos pra essas pessoas, o quanto elas são importantes em nossas vidas. O medo é um sentimento burocrático, que muito beneficia os psicanalistas, os laboratórios de antidepressivos e por incrível que pareça até as igrejas, que tanto se beneficiam das fragilidades humanas, para arrebanhar fiéis.

Tenho saudade do tempo em que tínhamos medo apenas de Lobisomem e assombração, pois nessa época havia espaço para a inocência e ailusão.

Hoje o homem só pode sentir medo de si mesmo e de suas próprias atitudes.


Renato Delfraro é estudante de jornalismo do 2º período da UEMG Campus de Passos.


Aproveitando o “corajoso” texto ressalto o medo que o mundo viveu com o “Bucho” no poder da Casa Branca. Medo que agora aos poucos vai sumindo com a esperança em que os terrestres estão em Obama. Oba! Oba! Oba! O “Bucho” está saindo, e me parece que entra por lá um coração limpinho, sem os restos da carniça que por lá estavam (aliás, ainda estão), mas a limpeza já começou a ser feita. E o planeta grita: Oba! Oba! Oba! Obamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Vanildo Marley

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

“Sim sou negro de cor”


Cinco de novembro e me sinto indeciso. Teoricamente eu teria, a priori, apenas duas opções temáticas para explorar: a vitória de Obama nos EUA, e qualquer outra coisa... Escolhi a eleição de Obama. Ao escolher escrever sobre isso senti a necessidade de delimitar o meu campo de visão, portanto não escrevo sobre o que representa a vitória de um negro para presidente dos EUA – apesar de saber que representa muitíssimo. E não tenho a intenção de laurear o próprio Barack Obama, embora o considere sim um grande estadista, alguém que resgatou a antiga linhagem perdida após o assassinato dos irmãos John e Robert Kennedy... Escrevo porque me emocionei com o discurso de vitória de Obama, e as 3h30 da manhã (horário de Brasília) chorei, assim como choraram milhares de pessoas naquele parque em Chicago.


Sim sou negro de cor
Meu irmão de minha cor
O que te peço é luta sim, luta mais
Que a luta está no fim


Enfim, escrevo para lembrar que ontem as “profecias” de Martin Luther King começaram a ser cumpridas, mesmo quarenta anos depois de ter sido assassinado por um idiota extremista. Ontem, pode-se dizer foi dado o primeiro passo para o antigo sonho de homens e mulheres avaliados não pela cor de sua pele, mas pela força de seu caráter. Um novo paradigma? Espero que sim. Quem, aliás, diria que o país da Klu Klux Klan, da segregação racial que motivou os protestos dos anos 50 e 60, do conservadorismo e moralismo pudesse eleger um negro presidente?! Poucos, até mesmo entre os mais otimistas, arrisco-me em afirmar. Eis a justificativa para tamanha euforia.


Cada negro que for
Mais um negro virá
Para lutar com sangue ou não
Com uma canção também se luta irmão
Ouvir minha voz
Lutar por nós


É, sobretudo, inevitável neste momento não me lembrar de grandes artistas que militaram para que este momento existisse, homens e mulheres que foram porta-voz da dor e da revolta da discriminação. (Lembro-me especialmente de Strange Fruit e da interpretação triste, sofrida e linda de Billie Holliday e de Missippi Goddamn da fantástica Nina Simone, canção esta que tornou-se hino ativista da causa negra.). É deles esta conquista como é, não posso deixar de citar, de Rosa Parks e de Malcolm X.


Luta negra demais, luta negra demais
É lutar pela paz, é lutar pela paz
Luta negra demais
Para sermos iguais
Para sermos iguais


Bom, este foi o meu post, apenas uma catarse. Nada além de alguém que temporariamente voltou a ter esperança de um mundo melhor, de crer que “sim, nós podemos”... Temporariamente, é óbvio. Os versos inseridos entre os parágrafos foram compostos por Ronaldo Bôscoli e Wilson Simonal, a música em questão se chama Tributo a Martin Luther King a mesma do vídeo abaixo.

Jean Carllo